Inferno? Se ele não tiver cheiro de café e gosto de mesmice até não seria tão difícil de engolir. Se isso, que vivo todos os dias, essa desgraça abundante, não é um inferno, deve ser realmente pavoroso lá. Ou, talvez, nem tenha graça, talvez aqui seja bem pior. Desisti de pensar em sonhos impossíveis e comecei a comprar moletons mais confortáveis. Parei de pensar no próximo que não existe, no irmão que nunca me deu a mão e na família que me destrói os dois lados do cerebro. O inferno me parece doce. Meus lençóis já estão amarelos de degosto e a luminária não ilumina mais do que uma vela de primeira comunhão. Onde estão os doces, os suspiros e sonhos, em ambos os sentidos? Prometo parar de questionar, já me disseram o quão absurdo soa quando me derreto no meu próprio inferno interno. Dizem que boas almas sofrem mais, bom, se for assim, talvez eu tenha os dois pés no céu, ou meio corpo queimado no inferno. Se é que há.
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